Política
Ricardo Ferraço assume o governo com foco em continuidade e aceleração de resultados
"A boa política nasce, justamente, da capacidade de entregar resultados concretos para a população. Não existe gestão técnica de um lado e projeção política de outro. No meu discurso de posse, deixei claro que o nosso compromisso é com a continuidade de um modelo que deu certo"
Por: Redação em 15 de abril de 2026

O senhor assume o Governo em um momento estratégico, com transição política e já no radar eleitoral. Como equilibrar gestão técnica e projeção política neste curto período?
A boa política nasce, justamente, da capacidade de entregar resultados concretos para a população. Não existe gestão técnica de um lado e projeção política de outro. No meu discurso de posse, deixei claro que o nosso compromisso é com a continuidade de um modelo que deu certo no Espírito Santo: responsabilidade fiscal, capacidade de investimento e presença efetiva do Estado na vida das pessoas. É isso que orienta a nossa ação desde o primeiro dia. Estamos falando de um período mais curto, é verdade. Mas também de um Estado organizado, com planejamento, com projetos estruturados e com uma equipe preparada. Isso nos permite acelerar entregas, avançar em áreas estratégicas e manter o ritmo de desenvolvimento sem improviso. O foco é governar bem para realizar entregas concretas que beneficiem diretamente o dia a dia das pessoas. No fim é a confiança, construída com resultados e diálogo, que credencia a gestão.
Quais são as três prioridades imediatas do seu governo até o fim de 2026?
O Espírito Santo vive um momento muito consistente. Recebemos um governo em pleno funcionamento, com entregas concretas em todas as áreas e com alto nível de aprovação da população, resultado de um trabalho sólido liderado pelo governador Renato Casagrande. Fizemos uma transição segura, responsável e, sobretudo, sem qualquer ruptura. Isso nos permite dar continuidade a políticas que estão funcionando e manter o ritmo de entregas desde o primeiro dia. Por isso, mais do que estabelecer novas prioridades para um período de nove meses, o nosso compromisso é aprofundar e acelerar uma agenda que já está em curso. Uma agenda estruturada em quatro pilares: manter o equilíbrio fiscal, garantindo capacidade de investimento do Estado; ampliar a presença nos territórios, com fortalecimento das forças de segurança, mais inteligência, integração e presença efetiva nas comunidades; impulsionar o desenvolvimento econômico, atraindo investimentos, fortalecendo a logística e apoiando quem produz para gerarmos cada vez mais oportunidades e empregos de qualidade; e avançar nas políticas sociais, com ênfase no SUS capixaba e na educação — ampliando o acesso, reduzindo distâncias com o uso da tecnologia, como as teleconsultas, e melhorando a qualidade dos serviços oferecidos à população. É com base nesses pilares que vamos seguir governando: com foco em resultado, parceria firme com os municípios, proximidade com as pessoas e capacidade de execução.

O que muda, na prática, na condução do Estado sob sua gestão em relação ao modelo adotado até aqui?
Este é um momento de continuidade com responsabilidade. O Espírito Santo construiu, ao longo dos últimos anos, um modelo de gestão que entrega resultados, com equilíbrio fiscal, planejamento e capacidade de execução. O que estamos fazendo agora é manter esse modelo e, ao mesmo tempo, imprimir ritmo, proximidade e foco na entrega. Um governo presente, que acompanha de perto, que cobra resultado e que acelera aquilo que já está planejado. Naturalmente, cada gestão tem o seu estilo. Vamos reforçar ainda mais o diálogo, a articulação e a presença nos territórios, sempre com o objetivo de aproximar o Estado das pessoas. Mas o mais importante é que não há improviso nem ruptura. Há um caminho claro, que vem dando certo — e a nossa responsabilidade é seguir avançando, com consistência e senso de urgência.
O Espírito Santo tem se destacado pelo equilíbrio fiscal. Como transformar essa solidez em crescimento econômico mais acelerado e geração de empregos?
Isso já está em curso no Espírito Santo. Observe as taxas recentes de desemprego? Sempre entre as menores do Brasil. O Estado tem mantido um nível elevado de investimento, e esses recursos, de forma direta e indireta, impulsionam o desenvolvimento e ajudam a preparar o futuro econômico. A solidez fiscal é um diferencial importante nesse processo. Ela gera segurança, previsibilidade e confiança — elementos fundamentais para atrair investimentos estratégicos, estimular empreendimentos de maior qualidade e fortalecer o ambiente para quem empreende. Além disso, o investimento público atua como indutor, criando as condições para que o setor privado cresça, inove e gere oportunidades. O resultado é um ciclo virtuoso: mais crescimento, mais investimentos e, sobretudo, mais e melhores empregos. É assim que transformamos responsabilidade fiscal em oportunidade real na vida das pessoas.
Quais setores o senhor enxerga como motores do crescimento do Estado nos próximos anos?
Mais do que apontar setores específicos, o mais importante é fortalecer os vetores que sustentam um crescimento consistente e de longo prazo no Espírito Santo. O primeiro deles é a atração de investimentos, especialmente industriais, com capacidade de gerar encadeamentos produtivos. Quando atraímos uma empresa desse porte, não estamos falando apenas de um empreendimento isolado, mas de um efeito multiplicador que mobiliza fornecedores, serviços e novos segmentos. Um exemplo recente e muito relevante é a chegada da montadora de automóveis GWM, que abre espaço para o desenvolvimento de toda uma cadeia associada. Outro vetor essencial é a logística, que já é uma das grandes vocações do estado. Nossa posição estratégica nos coloca de forma competitiva tanto no comércio exterior quanto na integração com outros estados, além de consolidar a logística como um segmento econômico em si, gerador de emprego e renda. E há um terceiro eixo que vem ganhando cada vez mais importância: o turismo. Para um estado com as características do Espírito Santo — com diversidade territorial, que integra litoral e interior — o turismo tem grande potencial de expansão, geração de oportunidades e dinamização regional, e tende a ganhar ainda mais relevância no contexto da reforma tributária. Nosso papel é conectar esses vetores e transformar potencial em resultado. Porque crescer, para nós, é gerar oportunidade e melhorar a vida das pessoas.

Como o Estado pode aproveitar melhor sua posição logística estratégica no cenário nacional?
Essa tem sido uma atuação constante e prioritária do Governo do Estado. Estamos trabalhando de forma estruturada para consolidar o Espírito Santo como um dos principais hubs logísticos do país. Isso passa por uma agenda robusta de projetos e articulações: a busca por uma alternativa para a ligação da Vitória-Minas, a construção da EF-118, a repactuação da concessão da BR-101 e os investimentos na duplicação da BR-262, com recursos da indenização de Mariana. Também avançamos com a privatização da CODESA, a implantação do ParkLogBR, a o avanço do Porto Central e a estruturação de um ParkLog Sul, ampliando nossa capacidade logística e criando novas oportunidades de desenvolvimento. Esse conjunto de iniciativas posiciona o Espírito Santo de forma cada vez mais competitiva, atraindo cargas, como as do agronegócio do Centro-Oeste, e fortalecendo nosso papel tanto no comércio entre estados quanto no comércio exterior. Mais do que infraestrutura, estamos falando de estratégia. De transformar localização em oportunidade e fazer do Espírito Santo um canal essencial para a ampliação da abertura comercial do Brasil.
O ambiente de negócios no Espírito Santo é competitivo frente a outros estados? O que ainda precisa melhorar?
Não tenho dúvida de que o Espírito Santo é hoje um estado competitivo para quem quer empreender. E o Brasil sabe disso! Temos um ambiente sólido, confiável e cada vez mais preparado para receber investimentos. É verdade que somos um estado pequeno, com um mercado interno limitado. Mas compensamos isso sendo grandes em aspectos decisivos: na confiança gerada pela solidez fiscal, na localização estratégica e na nossa capacidade logística, na relação madura e permanente entre o Estado e o setor produtivo, na cultura de planejamento e na qualidade das nossas instituições públicas. Somos também o estado que mais investe proporcionalmente em ciência e tecnologia no país, o que reforça nossa capacidade de inovar, aumentar a produtividade e preparar a economia para o futuro. Além disso, temos avançado de forma consistente na desburocratização, facilitando a vida de quem empreende e tornando o ambiente mais ágil e previsível. Naturalmente, sempre há espaço para melhorar. E é isso que nos move: seguir simplificando processos, reduzindo barreiras e criando cada vez mais condições para que as pessoas possam investir, produzir e crescer no Espírito Santo.
O Sul do Estado historicamente reivindica mais protagonismo econômico. O que muda, de forma concreta, na sua gestão para essa região?
O Governo do Estado tem feito investimentos importantes no Sul e atuado de forma consistente para fortalecer o desenvolvimento da região. Não se trata de uma mudança de rumo, mas de um trabalho contínuo, que reconhece as especificidades de cada território. Um exemplo concreto é o ParkLog Sul, que está em estruturação e representa um passo relevante para ampliar a competitividade logística e atrair novos empreendimentos para a região.
O Sul do Estado tem características próprias e desafios adicionais, como o fato de não contar com os incentivos fiscais da Sudene. Por isso, exige uma atenção permanente, com políticas públicas ajustadas à sua realidade. E o Governo do Espírito Santo tem essa atenção. O nosso compromisso é seguir presente, dialogando com lideranças locais, ouvindo as demandas e construindo soluções que fortaleçam a economia regional. Todos os instrumentos de apoio e fomento estão adequados e disponíveis aos municípios do Sul Capixaba. Esse é um compromisso de longa data. Desenvolver o Espírito Santo é garantir que todas as regiões avancem, com equilíbrio, oportunidade e capacidade de crescer.

O senhor defende incentivos específicos para atrair empresas para o Sul do Espírito Santo?
Esse modelo é o que mantemos há um bom tempo. Já é consolidado e comprovou eficiência. Recentemente podemos falar da chegada da Sampaio Distribuidora de Aço, em Mimoso do Sul, numa parceria exitosa com a prefeitura a empresa está se instalando no Polo Industrial às margens da BR 101. Com a reforma tributária, o Brasil entra em um novo cenário, em que os incentivos fiscais perdem espaço como principal instrumento de atração de empresas. Isso nos exige pensar de forma mais estratégica e sustentável. O caminho passa por outras modalidades de incentivo, baseadas na qualidade do ambiente para quem empreende: infraestrutura, agilidade, segurança jurídica, qualificação de mão de obra e capacidade de execução. É nesse conjunto que se constrói um diferencial competitivo real. Nesse contexto, o trabalho conjunto entre o Governo do Estado e as prefeituras será ainda mais decisivo. O Estado pode apoiar, induzir e ajudar na estruturação de bons projetos, mas a força da atração também estará na capacidade de cada município de valorizar seus ativos e oferecer um ambiente local competitivo. O aeroporto regional de Cachoeiro de Itapemirim está completamente remodelado, novo, e tem capacidade para atrair novos negócios, diversificados, para região como um todo. No Sul do Estado, por exemplo, há ativos muito relevantes: o potencial do petróleo, a força do litoral e o turismo de montanha no Caparaó. Quando esses ativos são bem estruturados, com projetos consistentes e um ambiente favorável, eles se transformam em oportunidades reais de investimento. É a soma desses esforços que vai fazer a diferença. Menos disputa por incentivos e mais capacidade de construir boas oportunidades.
Qual legado o senhor pretende construir nesse período à frente do Governo?
No discurso de transmissão de cargo, destaquei que o governador Renato Casagrande entrou pela porta da frente do Palácio Anchieta e saiu pela porta da frente, com uma avaliação muito positiva da sociedade. Isso é resultado de um trabalho sério, responsável e comprometido com as pessoas. O meu compromisso é o mesmo: honrar essa trajetória e sair da mesma forma, com a confiança da população. O legado que pretendo construir é dar continuidade a um modelo que funciona, manter o Espírito Santo no rumo certo e, ao mesmo tempo, acelerar o ritmo das entregas. Fazer do Estado um exemplo de que é possível ser equilibrado, eficiente e próximo das pessoas. O Espírito Santo é o Brasil que dá certo — e que melhora, de forma concreta, a vida de quem vive aqui.