Mercado
Cachoeiro Stone Fair encerra edição com 14,7 mil visitantes e negócios aquecidos
Feira reúne mais de 200 marcas, visitantes de 25 países e consolida Cachoeiro de Itapemirim como ponto estratégico para negócios, tecnologia e inovação na indústria de rochas naturais
Por: Redação em 28 de agosto de 2026

A Cachoeiro Stone Fair confirmou uma das principais características que sustentam sua trajetória de mais de três décadas: a capacidade de reunir, em um mesmo ambiente, produtores de rochas, fabricantes de máquinas e insumos, marmoristas, arquitetos, compradores e distribuidores nacionais e internacionais em torno de oportunidades concretas de negócios.
A edição deste ano contou com a presença de 14.752 visitantes, vindos de 25 países, além de reunir mais de 200 marcas expositoras. O movimento observado ao longo dos três dias reforçou também uma percepção compartilhada por expositores e entidades do setor: a redução da duração da feira para três dias contribuiu para tornar o evento mais objetivo e concentrado em um público profissional e interessado em negócios.
“Os expositores expressaram alta satisfação com os resultados. Tivemos uma feira mais enxuta, organizada e eficiente para a prospecção de negócios. O público veio com foco muito claro em negociação”, avalia Bismarck Bachiete, presidente do Sindirochas.
Para Rafael Acipreste, diretor da Milgran, a experiência de mais de dez participações na Cachoeiro Stone Fair comprova que o evento ultrapassou há muito tempo o conceito de uma feira de exposição. A empresa prepara sua participação com antecedência, levando clientes às fábricas e utilizando o evento como parte de uma estratégia comercial que combina relacionamento, experiência e conversão.
“Para quem não acredita que feira vende, nós vendemos na feira. Agosto, quando acontece a Cachoeiro Stone Fair, geralmente é um mês recorde de vendas para a Milgram”, afirma. Segundo ele, considerando o período pré-feira, os três dias de evento e o pós-feira, a empresa estima ultrapassar R$ 8 milhões em negócios, entre os mercados nacional e internacional.
Tales Machado, presidente da Centrorochas, também destacou o volume expressivo de visitantes qualificados. “Diferentemente de anos anteriores, em que o primeiro dia tinha um caráter mais institucional e solene, desta vez iniciamos com uma presença expressiva de visitantes e embora esperássemos uma redução natural no último dia, mantivemos um movimento constante e de alto nível, com a presença de diversos profissionais e clientes qualificados. Em conversas com outros empresários, percebi um sentimento geral de satisfação e a concretização de inúmeros negócios. O evento superou as expectativas, consolidando-se, mais uma vez, como o nosso principal vetor de oportunidades e resultados comerciais”, destaca.

Novas aplicações e materiais ganham espaço
Se a tradição permanece como um dos ativos do evento, a inovação é o que movimenta a evolução a cada edição. A apresentação de novas pedras, lançamentos de equipamentos e insumos e, principalmente, a demonstração de novas possibilidades de uso para materiais já consagrados foram alguns dos destaques desta edição.
A Superclássico, por exemplo, levou à feira uma nova versão do Matrix, material com mais de 23 anos de história e presença consolidada no mercado internacional. Nesta edição, a empresa buscou ampliar a percepção sobre as possibilidades de aplicação do produto, tradicionalmente associado a fachadas e pisos.
“Nosso objetivo é mostrar a versatilidade do Matrix para bancadas, áreas gourmet com churrasqueiras já que o material suporta altas temperaturas e permite acabamentos como o escovado, que é uma tendência estética forte. Aqui o arquiteto, o designer e o cliente podem tocar o material, sentir a textura e conhecer a qualidade. Essa interação fortalece as relações comerciais.”, explica Cristovão Altoé de Angeli, diretor comercial da empresa.
Na Magnitos, a aposta desta edição foi justamente nos materiais de maior demanda, como o quartzito Vancouver e o granito Atlas. Para Marcelle Magnago, CMO, o principal resultado está na qualidade dos contatos. “O saldo é muito positivo, com um fluxo de visitantes extremamente qualificado. Percebemos que quem veio este ano estava genuinamente interessado no setor e em negociações, o que elevou o nível das interações.”
A percepção é semelhante na Iven Stone. Segundo Daniel Ades, a empresa buscava ampliar o reconhecimento da marca fora de São Paulo e encontrou na feira uma oportunidade de alcançar novos mercados. “Recebemos um volume significativo de clientes em potencial, muitos dos quais já visitaram nosso novo showroom em Cachoeiro, e já realizamos negociações concretas. Alcançamos os objetivos traçados e estamos muito satisfeitos.”

Tecnologia acelera transformação da indústria
A evolução tecnológica também ganhou protagonismo nos estandes de máquinas, equipamentos e insumos da feira. Fabricantes apresentaram soluções voltadas à produtividade, precisão, redução de perdas e sustentabilidade dos processos industriais.
Para Márcio José Migliavacca, CEO da Rexfort, a feira é estratégica para aproximar a indústria das necessidades reais do mercado. “É uma oportunidade fundamental para apresentar avanços em maquinário, tecnologia e inovação. A diversidade geológica do Brasil exige soluções cada vez mais adaptadas, e o evento é um palco essencial para demonstrar essas tecnologias e fortalecer o relacionamento com clientes e parceiros.”
Na Cobral, presente desde a primeira edição da feira, a inovação também esteve entre os principais destaques. A empresa apresentou o CD Premium e lançou o Abrazil prensado, produzido a partir de tecnologia chinesa adquirida pela companhia.
“A Cachoeiro Stone Fair é uma vitrine para inovação. Cachoeiro é o berço das pedras, o epicentro do nosso mercado. Estar aqui é fundamental para compartilhar novas tecnologias que contribuem para o desenvolvimento de todo o setor”, afirma Carolina Gonçalves, da área Comercial e Marketing da Cobral.

Vendas de blocos impulsiona negócios na feira
Um dos espaços de maior impacto visual e comercial da feira, a Rua de Blocos, reforçou a importância de apresentar a rocha ainda em sua forma bruta, aproximando compradores da origem dos materiais.
A MGA levou 19 blocos nesta edição e estima ter movimentado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão em negócios. Segundo o CEO Luiz Alberto Altoé, a exposição permite que compradores conheçam características que não são percebidas quando a pedra é apresentada apenas como chapa beneficiada.
“Quando o cliente vê o bloco, consegue conhecer a pedra como ela realmente é, desde a origem, na forma bruta, e entender melhor todo o potencial daquele material”, afirma.
A estratégia também apresentou resultados expressivos para a Marbrasa, que levou sete blocos para a feira e já contabilizava cinco vendas concretizadas, além de duas negociações em fase final. Entre os materiais apresentados estão quartzitos, granito e mármores, com valores que chegam a cerca de R$ 160 mil por bloco.
Para Bruno Nascimento, coordenador de vendas, a exposição dos blocos amplia o alcance comercial da feira. “Conseguimos atingir diferentes públicos. Muitos clientes já conhecem a Marbrasa, mas também temos pessoas que chegam, veem os blocos e passam a conhecer nossos produtos.”

Rodada de negócios aproxima compradores internacionais dos fornecedores brasileiros
A internacionalização esteve também no centro do Projeto Comprador, que promoveu encontros entre empresas brasileiras e compradores de diferentes mercados. A iniciativa amplia as possibilidades de negócios e permite que os compradores conheçam não apenas os produtos, mas também as pedreiras, fábricas e processos de beneficiamento.
Foi o caso da polonesa Katarzyna Soltysia, da Magma, que importa materiais brasileiros há oito anos e participou pela primeira vez da Cachoeiro Stone Fair. Interessada principalmente em quartzitos, ela conheceu novos materiais para avaliar para o mercado polonês.
“Encontrei alguns materiais novos que acredito que poderiam funcionar no mercado polonês. O Revolution, por exemplo, chamou minha atenção por sua tonalidade avermelhada. Não temos nada parecido em estoque atualmente e acredito que seria interessante testar. Materiais da linha Alpino e similares também têm boa aceitação no meu país”, destaca.
Do México, Hayari Ballesteros, da Stonehaus, também avaliou positivamente a experiência. Com 16 anos de atuação no setor, ela ressaltou a importância de ampliar o conhecimento sobre a diversidade de materiais brasileiros.
“Estamos muito acostumados aos materiais mais comerciais e conhecidos. Mas, ao conhecer melhor a dimensão do mercado brasileiro, percebemos que existe uma variedade muito maior de materiais e possibilidades. Para cada cliente e cada projeto existe uma oportunidade”, afirma.

Feira como catalisadora de negócios e posicionamento
A qualificação dos visitantes foi apontada por diferentes empresas como um dos principais diferenciais desta edição. Para Cadu Maia, diretor comercial da Nebrax, a feira funciona menos como um espaço de fechamento imediato e mais como um catalisador para negócios que se desenvolvem a partir do relacionamento.
“Os estandes dos expositores estão cada vez mais sofisticados, focando menos na exposição bruta do material e mais na experiência de aplicação, nas inovações cromáticas e na vivência proporcionada. Quando o expositor investe estrategicamente em seu posicionamento e o público apresenta uma qualificação superior, temos a sinergia perfeita”, afirma Maia.
Os investimentos na produção dos estandes foram decisivos também na premiação Conexões que movem, que premiou os projetos de estandes mais criativos, inovadores e com capacidade de proporcionar experiências memoráveis aos visitantes, em três categorias. A Monte Negro foi a grande vencedora nas três: melhor stand de rochas naturais, melhor experiência para o visitante e stand mais criativo. A Aço Art se destacou vencendo a categoria Melhor Stand de Máquinas e Tecnologias e a Nebrax ganhou o Melhor Stand de Insumos e Soluções. A votação foi por voto popular pelos visitantes da feira.
Esse movimento de inovação e criatividade que vimos a cada edição ajuda a explicar a longevidade do evento, na avaliação da Milanez & Milaneze, realizadora da Cachoeiro Stone Fair. Ao longo de mais de 35 anos, a feira acompanhou as mudanças da indústria, incorporou novas tecnologias, ampliou sua presença e se consolidou como um ambiente de conexão entre oferta e demanda.
“Encerramos esta edição com a certeza de que a Cachoeiro Stone Fair segue evoluindo junto com o setor. O público qualificado, a presença de todos os estados brasileiros, expressivo público internacional e a geração de negócios mostram que, após mais de três décadas, a feira continua sendo um importante ponto de conexão, inovação e oportunidades para toda a cadeia da indústria de rochas naturais”, destaca Flávia Milaneze, CEO da Milanez & Milaneze.
A próxima edição da Cachoeiro Stone Fair já tem data marcada para 24 a 26 de agosto de 2027.