Decoração
Os caminhos apontados pela Cachoeiro Stone Fair 2026
Mais do que uma busca por determinada cor ou padrão, o que se percebe é uma valorização da expressividade da matéria.
Por: Nicolle Viana em 1 de setembro de 2026

Existe algo especial em projetar com um material que não se repete. Na Cachoeiro Stone Fair 2026, as rochas naturais reafirmam seu lugar na arquitetura contemporânea justamente por aquilo que carregam de mais genuíno: veios irregulares, nuances inesperadas, diferentes profundidades e desenhos construídos pela natureza ao longo do tempo. Mais do que uma busca por determinada cor ou padrão, o que se percebe é uma valorização da expressividade da matéria. Quartzitos de movimentos intensos, mármores, granitos e pedras de aparência mais bruta se reafirmam no interiores de forma a imprimir identidade, criar contrastes e despertar sensações.
Ela sai cada vez mais dos lugares previsíveis e ganha escala, volume e novas funções: reveste grandes paredes, desenha painéis, dá forma a mesas e aparadores, cria cubas esculpidas e aparece em peças quase escultóricas. Ao mesmo tempo, os acabamentos revelam outras possibilidades para materiais que já conhecemos. Superfícies polidas dividem espaço com texturas levigadas, escovadas, brutas e tridimensionais, capazes de transformar a incidência da luz e a percepção do ambiente. Combinada à madeira, aos metais e aos tecidos naturais, a pedra cria interiores mais táteis e menos óbvios — espaços que não foram pensados apenas para serem vistos, mas também para serem sentidos.
Talvez seja justamente aí que esteja uma das tendências mais interessantes reveladas pela Cachoeiro Stone Fair 2026: não se trata apenas de escolher uma pedra bonita, mas de entender como queremos que ela participe da arquitetura. Em tempos de interiores cada vez mais semelhantes, voltar o olhar para materiais naturais é também uma forma de recuperar personalidade e permanência. Como arquiteta, acredito que a escolha da rocha deve nascer junto com o conceito do projeto, considerando desenho, proporção, iluminação e acabamento. Quando isso acontece, a pedra deixa de ser simplesmente revestimento e passa a contar parte da história daquele espaço. Afinal, talvez o verdadeiro luxo contemporâneo esteja justamente nisso: ter menos elementos, mas escolher aqueles que são impossíveis de repetir.




