Decoração
Pedras naturais além das bancadas: a nova linguagem das rochas nos interiores
Na Cachoeiro Stone Fair e na CasaCor Espírito Santo 2026, ela aparece com outra presença: ocupa paredes, desenha móveis, cria volumes e, em alguns momentos, se aproxima quase de uma obra de arte. Sai daquele lugar previsível da bancada para assumir o protagonismo do ambiente.
Por: Nicolle Viana em 15 de setembro de 2026

Talvez uma das mudanças mais interessantes na forma como projetamos hoje seja parar de olhar para a pedra apenas como revestimento. Na Cachoeiro Stone Fair e na CasaCor Espírito Santo 2026, ela aparece com outra presença: ocupa paredes, desenha móveis, cria volumes e, em alguns momentos, se aproxima quase de uma obra de arte. Sai daquele lugar previsível da bancada para assumir o protagonismo do ambiente. Essa mudança de olhar amplia as possibilidades do material e nos convida a enxergar cada pedra de uma maneira mais livre e criativa, explorando não apenas sua função, mas também sua forma, textura, desenho e capacidade de transformar a atmosfera de um espaço.
O que mais me encanta nesse novo olhar é que a beleza não está somente na pedra perfeitamente polida. Está também no bruto, no poroso, nas marcas, nos relevos e na maneira como a luz encontra cada textura. Uma mesma rocha pode transmitir sensações completamente diferentes dependendo do acabamento e de como é inserida no espaço. Quando combinada à madeira, ao metal, aos tecidos ou a uma iluminação mais delicada, ela deixa de transmitir apenas imponência e passa a trazer acolhimento. Os veios deixam de ser simples desenhos da superfície e se tornam parte da composição — quase como uma obra criada pela própria natureza, impossível de ser repetida exatamente da mesma maneira.
Talvez seja justamente aí que esteja a nova linguagem das pedras naturais: menos sobre ostentar um material e mais sobre revelar sua essência. Como arquiteta capixaba, vejo essa tendência com um significado ainda maior. Estamos cercados por rochas que percorrem o mundo inteiro, mas ainda temos muito a explorar sobre elas dentro da nossa própria arquitetura. Usá-las de maneiras menos óbvias, experimentar acabamentos e permitir que cada peça tenha presença própria é também valorizar aquilo que nasce tão perto de nós. No fim, a pedra não precisa apenas fazer parte do projeto. Ela pode ser o ponto de partida para contar uma história — sobre matéria, território, natureza e identidade.