Crônicas

A também eterna Marataízes…

Curioso, coisa que não costuma acontecer. Acho que ainda estou perdido nas relembranças do carnaval. Ou, quem sabe, impactado com o reencontro de amigos.

Por: Wilson Márcio Depes em 13 de março de 2026

Curioso, coisa que não costuma acontecer. Acho que ainda estou perdido nas relembranças do carnaval. Ou, quem sabe, impactado com o reencontro de amigos. Uma coisa é indiscutível: todos trazendo no embornal – que coisa forte, meu Deus! – saudades da infância-adolescência. Do Iate Clube… Sobretudo de Marataízes. Efeito da guerra? Antes que daqui pra frente os fatos não passem a ter uma conotação político-eleitoral, vou contar.
Como assim? Um exemplo. Vejam só. Todos os candidato(a)s puseram a cara na reta, seja dançando, abraçando amigos e amigas e até desconhecidos como se fossem amigos íntimos. Antes que me imiscua nessa seara, quero mostrar ao meu querido leitor, a crônica que recebi do meu amigo Aylton Bermudes, irmão do Sérgio Bermudes, logo após o carnaval. Aliás, Ayltinho é um desses eternos apaixonados por Cachoeiro e Marataízes. Mantém uma casa lá só para uma visita por mês. Não vou perder a oportunidade de dividir com o caro leitor sentimentos puros de amor à terra. Já que vem arrastando dores profundas e lembranças eternas.
Diz ele: “Já vivi carnavais de excessos e de inocência. / Já caminhei atrás de blocos sem pensar no amanhã. /Já cantei alto, já ri sem medida. / E no ar, entre risos e confidências, havia também o perfume doce do lança-perfume — fragrância leve de um tempo em que viver era urgente e infinito.”
Continua: “Hoje, observo com outro ritmo. /Não preciso da multidão para sentir a música. / Ela vive em mim, feita de memórias. /Vejo os jovens correndo, fantasiados de sonhos, e sorrio. / Reconheço neles a mesma pressa que um dia foi minha. /O Carnaval passa. /Os perfumes se dissipam. / Mas ficam as histórias, os abraços e os instantes que resistem ao tempo. / E então compreendo: envelhecer não é perder a alegria, é apenas aprender a saboreá-la com calma.”
Parece que estou vendo a família Bermudes no casarão dos verões de Marataízes. Parece que foi ontem. Quem sabe não foi… Fico pensando. Como são belos esses sentimentos. Passa de pai para filhos como heranças que não têm preço ou disputas. Aliás, não posso perder a oportunidade. Tenho uma amiga que diz que “Marataízes é sua cidade no mundo”. Quem sabe não é mesmo…