Crônicas
Amigo para sempre
Tomo a liberdade de contar ao leitor um episódio que aconteceu, recentemente, na minha vida de advogado, mas que tem muito a ver com Cachoeiro e Rubem Braga. E Newton.
Por: Wilson Márcio Depes em 6 de abril de 2026
Tomo a liberdade de contar ao leitor um episódio que aconteceu, recentemente, na minha vida de advogado, mas que tem muito a ver com Cachoeiro e Rubem Braga. E Newton. Estava eu fazendo uma sustentação oral no Tribunal de Justiça, num processo delicado e de grande repercussão, quando, por lapso imperdoável, no curso da argumentação, confundi o nome de uma desembargadora, trocando pelo de uma colega dela, de outra Turma. O meu constrangimento foi enorme, exatamente porque não percebi na hora.
O pedido de desculpas – fi-lo todo constrangido – numa outra sustentação oral, duas semanas depois. Disse: “Mesmo constrangido, peço que fique registrado, não só o pedido de perdão, mas também a profunda admiração que nutro e cultivo por ambas Desembargadoras, cuja conduta ética e a cultura jurídica são referências para todos nós advogados”. Estava achando pouco o pedido de desculpas. Rapidamente, num estalo, ainda na tribuna, lembrei-me de uma crônica de Rubem Braga.
Pronto. Achei uma saída. E juntei à minha fala: “ Afinal, quem me acode neste momento é Rubem Braga, o cachoeirense que orgulha nossa história: Ora, o cotidiano é feito de pequenos deslizes, e são justamente esses detalhes que dão cor à vida”. Ainda estava na tribuna quando a Desembargadora, cujo nome confundira, foi de uma elegância que me emocionou, acolhendo as desculpas e muito mais. Com isso, quero dizer, como Rubem, que realmente Cachoeiro é mesmo a “capital secreta”. Exatamente porque, inclusive, não deixa seus irmãos sofrerem com seus erros, mesmo que seja os mais elementares. Ou ainda, como dizia seu irmão, Newton, “Ser amigo é um jeito bonito e raro de ser eterno na vida de alguém”.