Saúde
Hepatologista explica como medicamento popular afeta saúde do fígado
No estudo, verificou-se que a automedicação costuma ser mais comum para sintomas como gripes, resfriados, febres, dores de cabeça e musculares, levando a população a consumir analgésicos e antitérmicos, o que pode prejudicar o fígado.
Por: Redação em 23 de março de 2026

Segundo uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), divulgada em 2024, nove entre 10 brasileiros ingerem medicamentos sem prescrição médica. No estudo, verificou-se que a automedicação costuma ser mais comum para sintomas como gripes, resfriados, febres, dores de cabeça e musculares, levando a população a consumir analgésicos e antitérmicos, o que pode prejudicar o fígado.
Ao tomar conhecimento do dado alarmante com relação à automedicação, a coluna Claudia Meireles conversou com a hepatologista Liz Marjorie, de Juazeiro do Norte (CE). Durante a entrevista, a mestra em gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) explicou sobre o potencial do paracetamol em afetar o funcionamento do fígado.
De acordo com a especialista, o paracetamol é “relativamente seguro” em doses corretas. Entretanto, pode ocorrer o contrário — ou seja, tornar-se hepatotóxico — quando o indivíduo ultrapassa a dose máxima diária, a superdosagem, conforme detalha a médica. Outro hábito perigoso para a saúde do fígado é misturar vários medicamentos.
“O problema ocorre quando o paciente também consome vários produtos diferentes para gripe e dor que contêm o mesmo princípio ativo do paracetamol, que é o acetaminofeno. Acaba que resulta na soma das doses sem perceber”, avisa a hepatologista. Liz Marjorie acrescenta que esse hábito “pode causar lesões graves” ao fígado, órgão responsável por metabolizar substâncias.
A gastroenterologista destaca que, em situações críticas, a glândula do sistema digestório pode parar de funcionar, sendo necessário, em casos extremos e raros, até mesmo um transplante de fígado. “Quando esse uso é excessivo ou prolongado, ocorre o acúmulo de toxinas e a sobrecarga de todo o sistema”, argumenta a médica.
“Na prática, isso pode resultar no aumento das enzimas hepáticas nos exames de sangue (TGO e TGP), na piora dos quadros de gordura no fígado (a esteatose hepática) e, em casos extremos, na falência do órgão“, sustenta.
A especialista reitera que o consumo de medicamentos sem prescrição médica tende a ser “ainda mais alarmante” para quem tem algum quadro clínico, como cirrose hepática.
Fonte: Hepatologista explica como medicamento popular afeta saúde do fígado