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Navegar é preciso…

Vou falar de amigas. Regina Monteiro, por exemplo, foi eleita para a Academia Cachoeirense de Letras, mais que merecidamente. Regina é aquela amiga de alto astral, diz o quer e a gente tem que tá preparado para ouvir. É papo reto.

Por: Wilson Márcio Depes em 31 de outubro de 2022

Vou falar de amigas. Regina Monteiro, por exemplo, foi eleita para a Academia Cachoeirense de Letras, mais que merecidamente. Regina é aquela amiga de alto astral, diz o quer e a gente tem que tá preparado para ouvir. É papo reto. O medo que circula na gente é que ela possui um refrão: “Se me contar eu falo pro mundo”. É um jargão da jornalista, colunista desta Leia, que já lutou contra a censura, e usa em sua famosa coluna. É slogan contra a censura, é preciso que se diga. Uma pessoa inteligente e que consegue ampliar o valor e o conteúdo das conversas. Se pudesse escolher, por certo ela escolheria Marilene Depes para ser sua irmã. Claro que a Academia vai ser mais valorizada ainda com escolha de Regina, pela Inteligência, sagacidade e eternamente bem informada. Não gosta de medíocres. Lê de Rubem Braga a Dostoievski.
Ela me faz lembrar uma estória interessante. Certa vez, Rubem Braga foi assistir a um show de seu velho amigo Vinicius de Moraes. A folhas tantas – conta Ruy Castro – Vinicius suspirou no palco: “Ah, a melhor coisa do mundo é comer um papo-de-anjo ao lado da mulher amada!”. Antes que me confundam com Damares Alves e “pintou um clima”, quero esclarecer, para os mal-intencionados, que papo de anjo é uma sobremesa tradicional portuguesa, feita a partir de gemas de ovo batidas, cozidas e depois fervidas em calda de açúcar. (Salve o Google!). Continuo a estória. Na plateia, Rubem saiu de um silêncio que já durava horas e resmungou para sua acompanhante: “Vinicius está gagá. Muito melhor é comer a mulher amada ao lado de um papo de anjo!”.
Aliás, isso é exatamente típico de Rubem. Aqui em Cachoeiro, no Hotel Itabira, quando veio, na encolha, assistir ao julgamento do concurso de crônicas “Rubem Braga”, ao assistir ao prof. Deusdedit transmitir ao desfile escolar, falando cinco horas seguidas, sem tomar um copo d’água, arrematou: “Wilson, Deusdedit já doido!!!”.
Por tudo isso, em nome de Rubem, do prof. Deusdedith, de Newton Braga, de Regina e Marilene, em meu próprio nome, votemos pela Democracia. Com a situação que está aí… tudo pode e nada se sabe! Bom voto.