Crônicas
Patriotismo às avessas
Tempos estranhos em que vivemos, com nosso país dividido por questões ideológicas, com patriotas de fachada, enrolados na bandeira e torcendo contra o Brasil.
Por: Marilene Depes em 6 de abril de 2026
Tempos estranhos em que vivemos, com nosso país dividido por questões ideológicas, com patriotas de fachada, enrolados na bandeira e torcendo contra o Brasil.
Entendo como patriotismo apoiar e defender o país em qualquer circunstância em que ele se apresente, especialmente em disputas externas. Não consigo compreender a lógica de não torcer pelo Brasil em uma Copa do Mundo, simplesmente porque o técnico da seleção não convocou nenhum jogador do próprio time.
Quando Chico Buarque foi contemplado com o Prêmio Camões — a maior láurea concedida a um escritor em língua portuguesa —, isso foi considerado uma afronta por um determinado grupo político, que, por questões de valores, desconhece tratar-se de um dos maiores compositores da música popular brasileira, além de cantor, dramaturgo e escritor — um artista excepcional.
E, finalmente, o Brasil, por dois anos seguidos, foi indicado à cerimônia do Oscar. Entre milhares de filmes produzidos a cada ano, e entre milhares de atores, diretores e equipes de produção, o país se destaca com mais de uma indicação. Acompanho a cerimônia do Oscar e sempre me perguntava: onde estava o cinema brasileiro? Países menos expressivos que o Brasil se destacavam a cada ano. Tivemos alguns filmes esporadicamente indicados anteriormente: “O Pagador de Promessas”, “Cidade de Deus” e “Central do Brasil”.
E por dois anos consecutivos, nossos atores e diretores foram indicados e, sob um ponto de vista lúcido e razoável, o Brasil já saiu vitorioso. Estar entre os cinco melhores do mundo é uma conquista admirável! Estamos vivendo um tempo de renascimento da cultura, e ela representa toda a evolução de um povo.
Os filmes indicados ao Oscar, “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, tratam de temas históricos relacionados à ditadura, à censura, ao autoritarismo e ao medo difuso e silencioso. Mostram que regimes autoritários se sustentam pela adesão ao insustentável — e que levam os supostos patriotas a torcer contra a vitória do próprio país, chegando a comemorar como derrota uma grande conquista.