Moda

Shein é investigada por “design viciante” e produtos ilegais

A iniciativa amplia as tensões entre o bloco e a varejista chinesa, que tem sido alvo de críticas por práticas vistas como concorrência desleal com o comércio local e por uma série de controvérsias recentes.

Por: Redação em 18 de fevereiro de 2026

 

A União Europeia abriu, nesta terça-feira (17/2), uma investigação formal contra a Shein para apurar a venda de produtos considerados ilegais e o uso de um design digital que pode estimular comportamentos de consumo excessivo. A iniciativa amplia as tensões entre o bloco e a varejista chinesa, que tem sido alvo de críticas por práticas vistas como concorrência desleal com o comércio local e por uma série de controvérsias recentes.

Entenda a investigação

A União Europeia vem adotando medidas para reforçar a proteção ao consumidor, fechar brechas fiscais e endurecer regras de segurança no comércio eletrônico. Nesse contexto, a Shein passou a ser investigada por supostamente comercializar produtos que não atendem aos padrões exigidos no mercado europeu e por empregar estratégias digitais capazes de induzir compras impulsivas.

Entre as práticas analisadas estão o uso de contadores regressivos, alertas de estoque limitado, notificações frequentes e sistemas de recompensa semelhantes aos de jogos. A apuração ocorre com base nas novas normas digitais do bloco, incluindo a Lei de Serviços Digitais, que busca aumentar a transparência e a responsabilidade das grandes plataformas on-line.

O que antecede a medida

Em junho de 2025, o Senado da França aprovou um projeto de lei voltado a restringir a atuação do chamado ultra fast fashion no país. A proposta diferencia esse modelo do fast fashion tradicional, que engloba redes como Zara e H&M, e mira diretamente empresas como a Shein e a Temu. Caso entre em vigor, a lei pode proibir a publicidade dessas plataformas chinesas em território francês.

Em fevereiro, o ministro francês das Pequenas e Médias Empresas, Serge Papin, afirmou em entrevista à TV TF1 que 2026 deve ser marcado por uma postura mais rígida contra plataformas internacionais de fast fashion. Segundo ele, o modelo de negócios dessas empresas cria desequilíbrios ao não assumir plenamente a responsabilidade pelos produtos vendidos, diferentemente do que ocorre com lojas físicas, o que afeta o comércio local e aumenta riscos ao consumidor.

Polêmica envolvendo produtos sensíveis

Em novembro de 2025, o escritório antifraude francês acusou a Shein de comercializar bonecas sexuais com aparência infantil. De acordo com a instituição, a forma como os produtos eram descritos e categorizados no site levantava sérias dúvidas sobre a legalidade do conteúdo.

Diante do caso, o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que o país poderia bloquear o acesso à plataforma caso as vendas continuassem, classificando os itens como ilegais e incompatíveis com a legislação francesa.