Crônicas
As estórias de Roberto Carlos
As estórias que Roberto Carlos conta, relaxado em seus aposentos, são bem diferentes, por óbvio, das entrevistas concedidas em público, sempre tenso e monossilábico.
Por: Wilson Márcio Depes em 28 de abril de 2026
As estórias que Roberto Carlos conta, relaxado em seus aposentos, são bem diferentes, por óbvio, das entrevistas concedidas em público, sempre tenso e monossilábico. Afinal, ele é o “Rei” e sabe, melhor do que ninguém, o que pode dizer… Certa feita, conversando com ele, no então Hotel San Karlo, ele deu uma desligada. Como parou de falar, olhei para ele, sentado numa cama do Hotel, olhando longamente para o Rio Itapemirim… disse: “-Sabe de uma coisa? Tem dias que sinto uma vontade enorme de pegar um avião, vir sozinho aqui, para dormir uma noite olhando para o Rio, com esta vista daqui. ”.
– Do seu livro de Fotocrônicas– conta – o que mais me emocionou foi é ver a foto de Moringueiro, de quem nunca esqueci. “Moringueiro, olha do vaso e a moringa… Monringeiro” …. Muitas noites, você acredita?, já sonhei com ele? Depois ficava lembrando dos carrinhos de rolly man, que descia no Morro Farias, perto de minha cassa. Contando ninguém acredita, né? Taí…José Nogueira que não me deixa mentir.
Continua: “Muitas vezes, aos domingos, no pé jenipapo que existia ali perto do Jardim de Infância, eu ficava esperando a hora de abrir. O “Seu” Andrade, que era prefeito, mandava abrir para que a rapaziada fosse desfrutar de tudo que tinha ali. Eu achava que era o mais completo do Brasil. E era, né?
– Muito me emocionou, olhando aqui, rapidamente, a figura do Geraldo, postado no início das escadas do da igreja São Pedro, buscando ajuda para cuidar de sua vida. “Mengo!!!” Mengo!!! Povoam minhas tardes de domingo, até hoje.
Ao finalizar, para cumprir seus compromissos”, com lágrimas, disse “Depois dizem que a vida já passou. Tá inteira aqui dentro de mim misturadas com essas saudades”. Aliás, tem razão Drummond quando diz que as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficarão”.
Ou seja: isso sugere que o que terminou e se tornou memória tem uma permanência mais forte e real do que aquilo que é apenas belo no presente.
Finaliza o Rei: “Do meu Pequeno Cachoeiro, que de pequeno tem nada!!!!!!”.