Cultura

Autora capixaba transforma a experiência da maternidade em literatura

O lançamento será no dia 22 de agosto, das 9h às 11h, na Livraria Içá Içá, no Centro de Vila Velha, onde a autora irá autografar a obra e conversar sobre o seu conteúdo com os leitores.

Por: Redação em 16 de agosto de 2026

 

A experiência da maternidade, incluindo as etapas da gestação, do parto e dos meses intensos do puerpério, é a fonte de inspiração do segundo livro da escritora capixaba Camila Ungarato, “A mãe – Como a maternidade mudou a minha vida, de novo”. O lançamento será no dia 22 de agosto, das 9h às 11h, na Livraria Içá Içá, no Centro de Vila Velha, onde a autora irá autografar a obra e conversar sobre o seu conteúdo com os leitores.

A ideia do livro nasceu durante o puerpério. Embora Camila escrevesse desde a descoberta da gravidez, foi nesse período de profundas transformações que os textos ganharam forma e passaram a compor a obra. O resultado é uma narrativa autobiográfica em prosa poética que descreve a maternidade em toda a sua complexidade, abordando esta experiência transformadora de forma sensível e realista.

“Enquanto todos celebravam o nascimento da minha filha, eu tentava compreender o nascimento de uma nova mulher. Percebi que muitas das transformações mais profundas aconteciam por dentro e eram difíceis de colocar em palavras. Escrever foi a forma que encontrei de atravessar essa experiência com presença e honestidade”, revela a autora.

Linguagem poética
Em uma escrita íntima e poética, Camila Ungarato descreve temas como amor, medo, exaustão, culpa e pertencimento, revelando os movimentos contraditórios que coexistem, e precisam coexistir, na experiência materna. Segundo a autora, o livro não romantiza a maternidade, ao passo em que também não a reduz às dificuldades envolvidas ao longo do processo. “O livro nasceu, antes de tudo, da necessidade de organizar meu próprio mundo interno. Não escrevi co m a intenção de ensinar como viver a maternidade, mas de dar linguagem à experiência que eu estava vivendo”, observa.
Para Camila, embora muitas mulheres possam se reconhecer nas páginas do livro, o conteúdo da obra é direcionado ao público em geral. Ao ler o manuscrito, o seu primeiro leitor, que era um homem, observou que os companheiros também deveriam lê-lo para compartilhar com as mulheres esta travessia sobre aprender a permanecer enquanto a vida muda tudo. “Acredito que isso acontece porque a maternidade transforma toda a família. Talvez o livro ajude mulheres a se sentirem compreendidas e homens a compreenderem um pouco melhor essa experiência”, vislumbra a autora.

 

Referências literárias
A literatura entrou cedo na vida de Camila Ungarato. Desde criança, ela mergulhava nos livros movida pela curiosidade e pelo prazer de descobrir novas histórias e diferentes formas de olhar o mundo. Também adorava escrever e receber cartas. Mais tarde, a escrita passou a fazer parte da sua vida acadêmica, e ela continuou escrevendo em diários e cadernos sem imaginar que um dia publicaria livros.

Com o tempo, percebeu que algumas experiências só encontravam sentido ao serem exteriorizadas em palavras. Assim nasceu o seu primeiro livro, “A Peregrina: como o Caminho de Santiago mudou a minha vida”, lançado em 2023, após ela percorrer o caminho sagrado entre Lourdes, na França, e Santiago de Compostela, na Espanha.

“Hoje, escrever representa uma forma de elaborar a experiência vivida, organizar o mundo de dentro e transformar aquilo que é profundamente pessoal em algo capaz de dialogar com outras pessoas”, define Camila, que cita o escritor português Fernando Pessoa (1888-1935) como a sua principal referência literária. Nos últimos anos, tem buscado ler mais escritoras, como Clarice Lispector, Ana Suy, Laura Gutman e Clarissa Pinkola Estés. “Cada uma, à sua maneira, ampliou meu olhar sobre a experiência feminina, os vínculos, a maternidade e a condição humana”, completa.