Cultura

De Londres ao Espírito Santo: Thainan Castro estreia primeira exposição na Matias Brotas

Radicado em Londres, o artista apresenta um conjunto inédito de trabalhos que investigam dois eixos centrais de sua pesquisa: memória e espera, atravessados por uma experiência pessoal que redefiniu profundamente seu processo criativo.

Por: Redação em 13 de março de 2026

 

A galeria Matias Brotas Arte Contemporânea, em Vitória, inaugura no próximo 12 de março de 2026 a exposição “Tempo de Espera”, primeira mostra individual do artista Thainan Castro no Espírito Santo. Radicado em Londres, o artista apresenta um conjunto inédito de trabalhos que investigam dois eixos centrais de sua pesquisa: memória e espera, atravessados por uma experiência pessoal que redefiniu profundamente seu processo criativo.

O ponto de partida da exposição surgiu a partir de um encontro inesperado com o passado. Durante uma visita a um mercado de rua, Thainan encontrou uma caixa contendo cartas escritas entre 1940 e 1952, enviadas por um homem identificado como John para Mrs. Vera Cook, durante o período da Segunda Guerra Mundial. Nas correspondências aparecem relatos de saudade, promessas de retorno e reflexões sobre o tempo suspenso provocado pela guerra.

A partir desse material, o artista transforma narrativas íntimas em imagens que refletem sobre o tempo da espera como experiência humana, convertendo histórias particulares em investigações visuais sobre ausência, expectativa e memória.

Para Lara Brotas, diretora da galeria, a exposição marca um momento importante na trajetória do artista e também no diálogo que o espaço vem estabelecendo com pesquisas que atravessam arte, subjetividade e pensamento contemporâneo.

 

Desenho e reconstrução

A dimensão biográfica também atravessa a exposição. Após sofrer um acidente que resultou na perda temporária de seus movimentos, Thainan Castro iniciou um processo de reabilitação que acabou transformando profundamente sua prática artística. Durante o período de recuperação no hospital, o artista passou a pedir que uma caneta fosse presa à sua mão, enquanto familiares, médicos ou visitantes movimentavam o papel de acordo com as coordenadas que ele indicava. O gesto, inicialmente terapêutico, tornou-se gradualmente um ponto de inflexão em sua linguagem visual. Com a recuperação física, o desenho passou a ocupar papel central em sua produção, funcionando simultaneamente como exercício corporal, prática de reconstrução motora e campo de experimentação artística.