Artigo

Quem erra mais?

Não sei se o leitor desta Revista já pensou no caso. De minha parte, e digo com todo respeito, não poderia protelar mais em escrever sobre o tema: quem julgará melhor, a máquina ou o homem?

Por: Wilson Márcio Depes em 5 de agosto de 2026

Não sei se o leitor desta Revista já pensou no caso. De minha parte, e digo com todo respeito, não poderia protelar mais em escrever sobre o tema: quem julgará melhor, a máquina ou o homem? Na minha área, diria que o sistema de Justiça se viu na contingência de estabelecer regras para o uso das plataformas de inteligência artificial.
Numa conversa com o Desembargador Federal Ney Bello, às minhas perguntas ele respondeu com outra a pergunta: existe um componente ético e moral inafastável que humaniza os julgamentos de tal forma que delegá-los a um computador seria uma aberração? Homens erram mais quando decidem, ou as máquinas erram mais? Mais uma pergunta de difícil resposta: os comandos gerais e iniciais, os prompts seriam capazes de satisfazer à exigência – se é que ela existe para tal – da humanização de uma decisão da justiça?
Vocês veem que não somos nós sozinhos nesta dúvida cruel. Diz o Desembargador “que independentemente da resposta que cada um de nós possua para essas indagações, o Poder Judiciário tem a obrigação de se atualizar também, sabendo que esses dilemas estão diante de nós. Ora, diz que independentemente da resposta de cada um, ao estabelecermos regras claras sobre o uso da IA no dia a dia do sistema da Justiça, modernizaremos a sua atuação, e isso é um imperativo”.
A bem da verdade, depois de um longo papo, achei por bem terminar minha modesta crônica dizendo ou repetindo que estamos nos primórdios da compreensão sobre o uso da IA não só no sistema da Justiça e na aplicação do Direito. Porém, há uma certeza inevitável: é impossível desconhecer a questão e fugir do debate. Rezemos.