Crônicas
Ruídos
Em Cachoeiro, gosto de caminhar domingo de manhã, em dias ensolarados, na beira do rio Itapemirim. Vou em direção à Ilha da Luz.
Por: Sergio Damião em 23 de fevereiro de 2026
Em Cachoeiro, gosto de caminhar domingo de manhã, em dias ensolarados, na beira do rio Itapemirim. Vou em direção à Ilha da Luz. Encontro, em final de Avenida, com a grande árvore. Descanso à sombra da Samarina. Já contei: sua irmã gêmea fica na Praça dos Macacos, no Bairro Gilberto Machado. Na última caminhada, lembrei da efeméride: Dia Nacional da Saúde. Saúde! Algo difícil de definir, e com o passar dos anos, mantê-la em sua plenitude. Mesmo que a Organização Mundial da Saúde tente mostrá-la em palavras e a Constituição brasileira tente garantir: Um completo bem-estar físico, mental e social, e na atualidade, acrescenta-se o bem-estar espiritual e a sexualidade. Na prática, relacionamos saúde com ausência da doença física. O que importa é que não exista dor (usamos o princípio primeiro do ser humano – espírito da sobrevivência corporal). A saúde é algo tão complexo que só a obteríamos, completamente, quando em plena felicidade. Algo que deveria constar em nossa Constituição. Pois, envolvem aspectos econômicos, moradia, trabalho, lazer, arte, cultura… Chego a pensar em utopia. A saúde encontra-se nas coisas que fogem do corpo humano, as coisas que satisfazem a visão, audição, paladar, tato e olfato. Isto é, coisas que preenchem nossos sentidos. Na beira do rio Itapemirim, pensei em outro aspecto que envolve a saúde. Uma discussão bem atual: a solidão. A solidão como agravo de doenças cardiovasculares (AVC/Coronariopatias). Como já foi dito e cantado: triste é viver na solidão. Em nosso tempo, cada vez mais as pessoas sentem-se sozinhas, em qualquer idade, mais ainda, os idosos. Mas estar sozinho ou gostar de estar sem companhia é solidão? Nem sempre. Existe a solitude. Isto é: estar com você mesmo (uma excelente companhia). De encontro com o seu interior. Ao lado do Itapemirim, de repente, ouvi um ruído diferente, o som das águas do rio de encontro às pedras, estava próximo à Ilha. Um som inebriante, tanto quanto os ruídos das ondas do mar. Mas era diferente, lembrava os ruídos descritos pelo poeta das lavadeiras do Itapemirim. E foi assim, após momentos tristes com as mazelas sociais, nos ruídos do rio, e na lembrança do velho poeta, eu comigo mesmo recuperei a alegria de um domingo ensolarado em Cachoeiro.