Crônicas

Fraternidade e Moradia

Neste ano, tive a grata satisfação de iniciar a Quaresma em missa campal, à beira-mar, em Marataízes. E o que é a Quaresma?

Por: Marilene Depes em 6 de março de 2026

Neste ano, tive a grata satisfação de iniciar a Quaresma em missa campal, à beira-mar, em Marataízes. E o que é a Quaresma? Por que a Igreja Católica reserva quarenta dias em seu calendário para que os fiéis dediquem esse período à oração, ao jejum, à penitência e à caridade?
O tempo da Quaresma é simbólico e nos remete a fatos bíblicos, como o Dilúvio, que durou quarenta dias; os quarenta anos que o povo judeu caminhou no deserto em direção à Terra Prometida; e os quarenta dias que Jesus se isolou no deserto antes de iniciar a vida pública — e não foi numa situação de abandono de Deus, mas sim no sentido de se conhecer profundamente, vencer as tentações do demônio e se fortalecer com jejum e oração.
A cada ano, a Igreja indica um tema a ser analisado à luz da fé, objetivando ações concretas: a Campanha da Fraternidade. Criada por Dom Eugênio Sales e lançada na Quaresma, ela desperta a solidariedade dos fiéis em relação a problemas concretos, o espírito comunitário e cristão e educa para a vida em fraternidade, a partir da justiça social e do amor.
Neste ano, a campanha trata do grave problema da carência de moradias, com um déficit de 5,97 milhões. O programa Minha Casa, Minha Vida constrói moradias para a população de baixa renda, mas não consegue atender à demanda. Os aluguéis consomem até 40% dos salários, tornando deficitários o alimento, o vestuário e as demais necessidades.
Em nossa cidade, quase todos os bairros da periferia foram atendidos com programas habitacionais; contudo, os maiores problemas são encontrados nas grandes cidades, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste do país.
A Campanha da Fraternidade reforça que a moradia não é um privilégio, mas sim um direito; é condição básica para a cidadania e essencial para a dignidade humana. Diante dos fenômenos atmosféricos, como tempestades e vendavais, a população que mais sofre é aquela que se aglomera em submoradias. Os que perdem tudo nas catástrofes são os que têm tão pouco a perder.
Que, nesta Campanha da Fraternidade, o tema seja discutido e ampliado, e que surjam medidas concretas para amenizar a vida de tantos irmãos. A proposta da Igreja é válida, pois traz a reflexão da realidade e promove a moradia digna como direito fundamental.