Crônicas

Um pacto civilizatório já!

Mas por quê? Exatamente porque o país figura, sem dúvida, entre os mais letais do mundo no que diz respeito ao assassinato de mulheres.

Por: Wilson Márcio Depes em 30 de março de 2026

 

O tema desta crônica, aqui nesta revista, está mais afeito à Marilene e Regina. Mas não posso, sob pena de omissão, deixar de dizer que achei muito importante – senão fundamental – a proposição de um pacto civilizatório – aqui colocando o Executivo, Judiciário e Legislativo – para enfrentar o feminicídio aqui no Brasil.

Mas por quê? Exatamente porque o país figura, sem dúvida, entre os mais letais do mundo no que diz respeito ao assassinato de mulheres. O motivo: nuclearmente porque o homem não aceita a rejeição da mulher.

Acho curioso é que, como vi em São Paulo, o aumento de episódios em que mulheres foram assassinadas por ex-companheiros depois de meses após o fim do relacionamento. Causa perplexidade porque não se trata de criminalidade comum, como observa o meu guru e psiquiatra Joel Birman. Há uma dimensão histórica e subjetiva em jogo a ser discutida. Ora, nas décadas de 60 e 70 o empoderamento feminino rompeu com o tradição patriarcal – aliás como ensina Joel trazendo experiência de seu famoso consultório – que confinava as mulheres às posições de esposa e mãe, como se fossem propriedade masculinas. O que desestabilizou uma ordem secular.

A rigor, o homem experimentou a recusa como humilhação, abalando a fantasia de onipotência. Joel ensina que a identidade masculina tradicional foi construída sobre uma expectativa de privilégio, forjada desde as primeiras relações afetivas. Resumo: a psicanálise, como contribuição, sugere que seu enfrentamento exige punição rigorosa – mas não só. Impõe transformação profunda, começando pela educação e estrutura familiar, para que meninos não sejam formados sob lógica da superioridade, mas sob s experiência do limite, da diferença e da igualdade. Com ensina o mestre Joel. Enquanto a vid das mulheres continuar ameaçada, não podemos dizer que vivemos numa democracia.