Crônicas
Política sem mulher: machismo
Pelo que se vê, até agora, o desenho de candidaturas à presidência da República mostra uma disputa sem mulheres. O que, aliás, contraria todo o discurso predominante neste momento da história e causa perplexidade.
Por: Wilson Márcio Depes em 15 de abril de 2026
Pelo que se vê, até agora, o desenho de candidaturas à presidência da República mostra uma disputa sem mulheres. O que, aliás, contraria todo o discurso predominante neste momento da história e causa perplexidade. Aliás, é de se dizer, que desde 2002 isso não acontece. Para mim, se trata de um retrocesso inimaginável. De forma simples, na prática, a decisão de manter mulheres fora do centro de disputa, mesmo quando têm capacidade de articulação, e capital eleitoral é vista pelos técnicos e as pessoas versadas no tema com um resultado das persistências das barreiras criadas pelas organizações partidárias.
Alguém tem alguma dúvida sobre isso? Hoje, a Câmara dos Deputados: cerca de 15% das cadeiras. Senado Federal: aproximadamente 12% a 13% de representação. O debate sem mulheres fica profundamente empobrecido. Não só fica empobrecido o debate, a ausência de mulheres empobrece a discussão pública e o próprio funcionamento da democracia, sobretudo porque enfraquece terrivelmente a ideia de representatividade.
Quando não há mulheres na disputa pelo cargo máximo, evidencia o atraso, como diria, civilizatório e se acentua a percepção de que a Presidência ainda é um espaço masculino.
Argumento incontável que pode se extrair de qualquer compêndio: O machismo na política brasileira é uma barreira estrutural que se manifesta desde a sub-representação nos cargos eletivos até a prática direta de violência política de gênero. Absurdamente, embora as mulheres representem a maioria do eleitorado, elas ocupam apenas cerca de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputado. O que é, só como este exemplo, um absurdo e um retrocesso inominável.