Crônicas
O retorno do Rei
E Roberto Carlos retorna à sua terra para comemorar, junto aos seus conterrâneos, seu aniversário de 85 anos, com um show que atrai multidões, daqui e de todo o Brasil.
Por: Marilene Depes em 15 de abril de 2026
E Roberto Carlos retorna à sua terra para comemorar, junto aos seus conterrâneos, seu aniversário de 85 anos, com um show que atrai multidões, daqui e de todo o Brasil.
Ele é um exemplo de superação e de élan vital. Foi uma criança de condição humilde, cujos pais trabalhavam: o pai como relojoeiro e a mãe como costureira. Aos 6 anos, sofreu um grave acidente de trem que lhe ceifou parte da perna direita. Diante do mundo preconceituoso em que vivemos, imagino um jovem com deficiência saindo de sua terra para a cidade grande, sem um benfeitor poderoso que o encaminhasse, sem um sobrenome que lhe abrisse portas, tendo apenas a si mesmo e ao seu talento.
Soube gerir seu nome e sua carreira. Nunca se envolveu em escândalos que pudessem afetar sua reputação. Passou por várias intempéries, como doenças e perdas de pessoas amadas, e conseguiu superar tudo. Tornou-se um cantor de sucesso nacional e internacional e permanece ídolo através das gerações. Num tempo em que o sucesso é breve e passageiro, manter-se como rei absoluto da música popular, arrebatando multidões em seus shows, é algo raro na vida artística.
Ele é extremamente exigente com a montagem dos espetáculos, assim como com a escolha do repertório e dos músicos que o acompanham — enfim, de tudo o que o cerca. Roberto Carlos compôs a maioria de suas canções, gravou dezenas de discos, fez filmes, apresentou programas de TV nos quais lançou inúmeros artistas, é empresário e atua atualmente também no ramo imobiliário.
Com 85 anos, ainda não fala em aposentadoria: mantém uma agenda com shows nacionais e internacionais. O que explica sua história de sucesso — ontem, hoje e sempre? Naturalmente, possui um élan vital que não o permite arrefecer, além de determinação, disciplina, uma voz marcante e uma fé religiosa inquebrantável.
Viajando ao exterior, por duas vezes — em Madri e Miami —, ouvi músicas de Roberto Carlos e, ao me identificar como sua conterrânea, as pessoas se emocionaram — e eu mais ainda.
Seu reconhecimento internacional aconteceu em 1968, quando venceu o Festival de San Remo, na Itália, cantando “Canzone per te”. Foi o primeiro intérprete estrangeiro a vencer o referido festival, que pode ser comparado ao Grammy Awards da atualidade. Diante da grandiosidade de Roberto Carlos e da relevância de seu nome para nossa cidade, as linhas que acabo de digitar são meros “Detalhes”.