Crônicas
A luta das mulheres
Um dos primeiros foi o direito de votar e ser votada, reconhecido no Brasil em 1932. Mais tarde, a Constituição de 1988 estabeleceu a igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres.
Por: Marilene Depes em 15 de setembro de 2026
A mulher, em tempos remotos, era considerada um apêndice no núcleo familiar. Se não conseguisse se casar, muitas vezes era marginalizada por não alcançar o que lhe era apresentado como o grande sonho: constituir uma família. E, dentro dela, era-lhe imposta a condição de submissão ao poder patriarcal.
Com o tempo, através de muita luta e mobilização, as mulheres foram conquistando direitos. Um dos primeiros foi o direito de votar e ser votada, reconhecido no Brasil em 1932. Mais tarde, a Constituição de 1988 estabeleceu a igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres.
Até a década de 1960, antes da popularização da pílula anticoncepcional, as mulheres tinham enorme dificuldade para exercer autonomia sobre o próprio corpo e sobre sua vida reprodutiva. Sofriam, ainda, restrições absurdas, como a necessidade de autorização do marido para determinadas decisões da vida civil. A Constituição de 1988 consolidou juridicamente a igualdade entre homens e mulheres na sociedade conjugal.
Depois do assassinato de Ângela Diniz e da polêmica absolvição de seu assassino, Doca Street, inicialmente amparada pela tese da “legítima defesa da honra”, as mulheres se mobilizaram em manifestações que contribuíram para mudar a forma como a sociedade e a Justiça encaravam a violência contra a mulher.
Em 2006, foi instituída a Lei Maria da Penha, resultado também de uma longa luta de Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de violência e de duas tentativas de assassinato cometidas pelo marido. A legislação representou um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher e vem sendo aprimorada ao longo dos anos.
A entrada das mulheres na política também aconteceu através de muita luta. Hoje, elas ocupam espaços de poder antes inimagináveis, embora ainda reste um longo caminho até que a igualdade de representação seja alcançada. Na Educação, conquistaram espaço nas universidades e em profissões que durante muito tempo foram consideradas exclusivamente masculinas.
E, depois de tanta luta, de tantas conquistas e de tantos obstáculos vencidos, ainda ouvimos, de alguém, que parece desconhecer a nossa caminhada, a afirmação de que mulher não sabe votar! Somos maioria. Sabemos votar. Sabemos lutar. Sabemos conquistar. E ninguém nos tira os direitos adquiridos.