Crônicas

Comunicação assertiva

Estou tentando me adaptar às modernidades da comunicação nas redes sociais. Sou escritora, e estou habituada a expressar meus pensamentos através da palavra escrita.

Por: Marilene Depes em 2 de setembro de 2026

Estou tentando me adaptar às modernidades da comunicação nas redes sociais. Sou escritora, e estou habituada a expressar meus pensamentos através da palavra escrita. Por isso, tento me comunicar de forma clara, segura e sem margem para dúvidas. E vou confessar: não sou adepta dos áudios!
Em geral, nem os ouço. Se forem compostos de uma única frase, ainda tento. Se forem longos, já abandono de imediato. Meus familiares, que me conhecem bem, retribuem minha comunicação em padrão idêntico.
E encontro na psicologia alguma explicação para o que chamo de mania. Os adeptos da comunicação escrita costumam se preocupar com o impacto de suas palavras: escrevem, revisam e só depois enviam. A escrita permite ajustar a mensagem, escolher melhor as palavras e, muitas vezes, evitar que uma reação impulsiva cause mal-entendidos ou ofensas.
Alguns estudos e análises da psicologia também associam a preferência pela comunicação escrita a características pessoais, como introspecção, reflexão e maior cuidado na maneira de expressar emoções. É uma forma de comunicação que permite pensar antes de falar, rever o que foi escrito e sustentar posições de maneira mais tranquila e racional.
Numa situação que dependa de uma resposta imediata, até abro uma exceção e ouço o áudio. Não sou tão radical. Mas quem me conhece bem respeita minhas preferências. E, apesar de eu não ser uma raridade, a maioria das pessoas com quem me comunico tem a delicadeza de entender e acolher essa minha particularidade, sem questionamentos ou reprimendas.
Observo, entretanto, uma ansiedade tão grande na comunicação que tudo fica embaralhado. Enquanto você calmamente escreve, o outro vai lhe atropelando com áudio e mais áudio. Parece que perderam a paciência e, em muitos casos, até a educação.
Não tenho nada contra quem prefere falar. Cada pessoa tem seu jeito de se comunicar. O que me incomoda é quando a preferência de um é imposta ao outro, sem considerar que existem diferentes formas de receber e processar uma mensagem.
E, para os casos realmente urgentes, o telefone continua sendo um excelente meio de comunicação!