Crônicas

Nossa arma é a urna

Segundo o IBGE, 6% das mulheres de 18 anos ou mais, no Brasil, são vítimas de violência psicológica, física e sexual.

Por: Marilene Depes em 23 de setembro de 2026

A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, criou mecanismos para coibir, prevenir e punir as diversas formas de violência doméstica e eliminar qualquer tipo de discriminação contra as mulheres. Apesar dos dispositivos de proteção, como a criação da Delegacia da Mulher, espaço próprio para denunciar a violência; a Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, que ampara a mulher por meio de visitas periódicas; as Medidas Protetivas e as tornozeleiras eletrônicas, todos visando proteger a integridade e a vida da mulher em situação de risco, essas medidas legais ainda não têm sido suficientes. A violência aumenta e não escolhe cor, idade ou nível social.

Segundo o IBGE, 6% das mulheres de 18 anos ou mais, no Brasil, são vítimas de violência psicológica, física e sexual. Mais de 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses, e, quatro mulheres morrem por dia, vítimas de feminicídio no Brasil.

Em alguns países da África, da Índia, da China, do Oriente Médio e até da Europa Oriental, mulheres são sequestradas, estupradas, massacradas, traficadas e forçadas à prostituição. E em alguns países, mulheres ainda sofrem mutilação genital. No Irã, existem casos de mulheres condenadas à morte por apedrejamento e são impedidas de frequentar a escola, o que as transforma em seres sem voz nem vez. Segundo dados da ONU, 140 mulheres são vítimas de feminicídio por dia no mundo.

Apesar de serem maioria da população, as mulheres constituem uma maioria minorizada, já que apenas 4,9% ocupam cargos de gestão nas empresas e, no poder público, apenas 15% estão à frente das Prefeituras e 18% ocupam cadeiras no Congresso Nacional. O meio político é um exemplo do que acontece na maioria dos setores.

Não se vislumbra uma luz enquanto as mulheres não ocuparem os espaços de poder, para que a história do patriarcado tenha um fim. Precisamos de mulheres fortes e aguerridas que nos representem, que lutem pela causa feminina, que não permitam a revogação de direitos adquiridos.

A situação da mulher é uma questão humanitária. A submissão é desumana. Nossas armas são o protesto, a indignação e as urnas, até que possamos comemorar a igualdade e a plena eficácia da Lei Maria da Penha. Em 4 de outubro podemos reverter o quadro, a urna é nossa arma!