Crônicas
A natureza na Academia
Encontro-me com alguns amigos que assistiram à posse de Marcelo Marques de Melo na Academia de Letras de Cachoeiro.
Por: Wilson Márcio Depes em 5 de novembro de 2026
Encontro-me com alguns amigos que assistiram à posse de Marcelo Marques de Melo na Academia de Letras de Cachoeiro. Como me coube a grata incumbência de saudá-lo, alguns amigos me pendem a transcrição. Esclareço que só posso fazê-lo de pequenos trechos. Insistem. Se é assim, vou fazê-lo. Peço que me desculpem a falta de harmonia. Vamos lá.
– “ Só depois, fui descobrindo que Marcelo, mesmo com graduação em Educação Física, encontrou o verdadeiro sentido para sua vida na rotina da fazenda, entre o nascer e o pôr do sol, entre o silêncio das paisagens e os sons da lida. Folha, grãos, sol nascente e mãos no trabalho: cenário simples de criação que a natureza opera.
. Afinal, como privilegiado observador das paisagens, dos sons, dos ciclos naturais e da riqueza presente nas diferentes formas de vida, desse cotidiano, nasceu o escritor para ensinar a todos nós que a vida, assim como a terra e a natureza, exige tempo, cuidado e permanência. E, sobretudo, carinho.
– Isso me fez lembrar – e peço permissão para citar – Hélio Pelegrino: “Esta água que brota. / Esta fonte profunda/ Não quero ter. /Porque minha sede /É da água profunda / Na sua imensa liberdade/Fonte viva, / Água alta, Estrela de carne/ Que carinho grave! ”
– Peço autorização para contar que, com a narrativa de Marcelo, senti falta da casa de meu avô, lá em Leopoldina, Minas Gerais, terra da minha mãe querida. Garoto ainda, meu avô me pegava pelo braço, bem cedo, e almejava me mostrar que, mesmo meninos, éramos úteis. Nascíamos para servir o mundo mais que o mundo para nos servir. Ora, imagine! O resultado é que o mundo era algo que nos pertencia, porque ajudávamos a fazê-lo.
. Pude relembrar tudo isso vivamente, me contorcendo em saudades, com as mensagens de Marcelo. Passei a sentir que, afinal, indiscutivelmente, ainda havia uma utilidade em nossa vida. E que não esquecera das mensagens de meu avô, das jabuticabas de seu terreiro, mesmo tragado pelo dia a dia da vida de advogado.
– A par disso, impõe-me confessar, Marcelo, sem qualquer pudor, suavemente, que sou muito orgulhoso de nossa Academia. Aliás, quando entro no seu prédio, no Bernardino Monteiro, as salas do meu primeiro colégio, onde aprendi as primeiras letras, as salas, suavemente, correm ao meu encontro – e não é figura de retórica -, porque, todos nós deixamos ali eternamente um pouco de nós, assim como levamos inefáveis sensações, desvanecedoras experiências e a confiança que temos no valor da vida.
Paro por aqui. É o que o espaço desta Revista me permite.