Crônicas

Que Brasil é esse?

Nunca vi tamanha polarização em nosso país como a que vem crescendo a cada eleição. As pessoas estão perdendo a compostura e a educação, atacando-se e digladiando-se.

Por: Marilene Depes em 28 de outubro de 2026

Nunca vi tamanha polarização em nosso país como a que vem crescendo a cada eleição. As pessoas estão perdendo a compostura e a educação, atacando-se e digladiando-se. Amizades são desfeitas, grupos familiares se desestruturam — tudo isso comparável a um clima de guerra.
Acompanho as eleições ao longo de toda a minha vida. Aqui em Cachoeiro, assisti a candidatos da ARENA e do MDB em palanques distintos, cada grupo defendendo seus candidatos e, após as eleições, os opositores mantendo civilizadamente suas amizades. Os candidatos defendiam suas propostas e até atacavam os adversários, mas sem baixar o nível a ponto de atingir questões morais com suas ofensas. Havia oposição, mas sem que se perdesse a ética.
A mesma postura política era observada nos âmbitos estadual e federal.
Talvez o nível tenha começado a cair na campanha que elegeu Fernando Collor à Presidência da República. Foi a primeira vez que assisti à utilização de situações íntimas da vida familiar em um debate público. Entretanto, Fernando Collor não chegou ao final do mandato, em meio a acusações e à pressão da juventude nas ruas, que pedia sua destituição do cargo. O termo inglês impeachment passou a fazer parte do nosso vocabulário cotidiano.
As eleições foram se sucedendo, mantendo-se, em geral, um padrão ético no embate entre esquerda e direita, a ponto de políticos de destaque, como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e Lula, entre outros, não baixarem o nível em suas campanhas.
A polarização se intensificou há poucos anos, e o extremismo se exacerbou. A democracia corre riscos, as urnas eletrônicas foram desqualificadas e as pessoas temem se expor, ser ameaçadas, perder amizades, sofrer prejuízos financeiros, ver comprometida sua liberdade religiosa ou até mesmo perder a própria autonomia. Enfim, quem possui visibilidade e liderança acaba se acovardando diante de tanta polarização.
Quero meu Brasil de volta! Quero ver o povo exercendo livremente seus direitos democráticos. Vale a pena sonhar!