Crônicas
Lembranças e emoções
Todos nós possuímos um espaço interno que só nós conhecemos, reservado às nossas lembranças e emoções. Sem adentrar ao campo da Psicologia, que não é minha área, vou tentar relatar experiências do vivido.
Por: Marilene Depes em 9 de outubro de 2026
Todos nós possuímos um espaço interno que só nós conhecemos, reservado às nossas lembranças e emoções. Sem adentrar ao campo da Psicologia, que não é minha área, vou tentar relatar experiências do vivido.
No espaço das lembranças, estão acumuladas todas as experiências felizes do nosso passado: pessoas que nos marcaram positivamente, palavras de incentivo, vitórias enfim. Mas ali também se acumulam tudo o que nos fez sofrer: a perda de um ente querido, decepções, palavras ofensivas, abandonos, abusos, humilhações, injustiças e até erros que cometemos no passado e que preferimos nem lembrar, a fim de evitar a dor.
Nesse espaço, guardamos nossos medos, inseguranças, ansiedade, depressão, sentimentos de culpa e reações desproporcionadas, muitas vezes sem nos darmos conta do porquê e nem de onde surgem.
São emoções que, em geral, conseguimos manter sob controle, até que algum gatilho as faça aflorar. Vou exemplificar: não suporto ouvir assobios. Arrepio-me toda e fico angustiada. E, por azar, tenho um funcionário que trabalha assobiando na Vila Aconchego. Não adianta explicar que não tolero assobios, o outro não consegue alcançar. É difícil entender que talvez eu tenha sofrido algum tipo de abuso durante minha infância e que, ao ouvir assobio, é acionado um gatilho adormecido em minha memória.
Gatilhos comuns são músicas, pessoas que falam em tom de voz elevado ou autoritárias, determinadas cerimônias, entre outros.
O problema é que, quando as lembranças ocupam muito espaço, podemos nos transformar em criaturas tristes, infelizes, amarguradas e solitárias; ou que aparentam força quando estão quebrantadas, que afirmam bastar-se a si mesmas enquanto carregam um mundo nas costas.
Tenho um pé atrás com a autossuficiência, todo excesso é uma tentativa de compensar alguma falta. Dá vontade de sugerir: busque terapia e Deus, podemos dissociar as emoções das lembranças, quando estas nos prejudicam. Existe esperança de cura!