Crônicas

A saturação e a censura

Achei muito interessante a ideia proposta pela amiga Martha Medeiros que, afinal, sugeriu que algumas palavras já saturaram e deveriam sair de uso.

Por: Wilson Márcio Depes em 15 de outubro de 2026

Achei muito interessante a ideia proposta pela amiga Martha Medeiros que, afinal, sugeriu que algumas palavras já saturaram e deveriam sair de uso. Na verdade, como ela diz, as palavras saturaram principalmente nas redes sociais. E faz uma relação enorme. Dentre elas “potente”, “exposição”, “propósito”, “descontruir”, “experiência”. Mas, afinal, pensando bem, isso cheira a censura. Claro as palavras saturam quando entram na moda, mas daí a censurar, vai uma distância muito grande. A Martha tem horror à censura, diga-se., com ênfase.
Não podemos esquecer que estamos em plena campanha eleitoral. E, me perdoe a sinceridade, há candidato que adora um regime sob o qual se pode fazer o que quer. Sobretudo censurar. Aliás, censura – é preciso ficar bem claro – é a desaprovação, controle ou supressão da circulação pública de informações, opiniões, ideias ou expressões artísticas e jornalísticas, geralmente realizada por uma autoridade superior ou pelo próprio Estado. O principal objetivo dessa prática é proteger os interesses de governos, organizações ou indivíduos no poder, impedindo que conteúdos considerados inconvenientes, perigosos ou contrários à ideologia dominante cheguem à população. Já esquecemos disso? Marta, por exemplo, pode ter horror da palavra “irreversível”. Diz ela com maior cuidado, que repetida com insistência perde seu sentido. Mas esclarece que não podemos oprimir quem faz o seu uso constante. Exatamente pelo motivo que já expus. Ou seja, a terrível da opressão ou o medo que temos da censura.
E diz mais. Com todas justificativas, “não sei você, mas evito a palavra irreversível, a mais dolorosa da língua portuguesa, que ainda não foi cancelada, até que caia nas redes e seja massacrada pela repetição”. Claro que os tempos são outros, mas tenhamos muito cuidado com a censura, estamos muito próximos de sufragar – olha outra palavra aí … – um voto. Aliás, bom voto para todos vocês, queridos leitores, sem censura.