Crônicas

Desigualdade

Ensinando o valor da conquista das pequenas coisas e encurtando as diferenças sociais...

Por: Sergio Damião em 9 de março de 2020

Estamos no topo da desigualdade quando o assunto é concentração de renda e riqueza entre as classes sociais. Uma realidade do Brasil Império que a República não mudou. Apesar disso, temos a maior festa popular do universo: o Carnaval. Por quatro dias, ou mais, paramos o país para festejar a alegria, felicidade e a igualdade. Em carros alegóricos ou Blocos de Rua desfilamos unidos. Logo, na quarta-feira de cinzas, esquecemos a solidariedade e voltamos ao abismo social. No melhor livro recente: “Uma História de Desigualdade – A concentração de renda ente os ricos no Brasil”, o sociólogo Pedro H. G. Ferreira de Souza, analisa o IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) no período de 1926-2013. Constata a enorme concentração de renda (1% mais rico recebe quase 25% da renda nacional). Mostra ainda: continuamos tão desiguais quanto no início do século passado. Apresenta um dado preocupante: o mundo está se tornando desigual. Criamos um grande “barril de pólvora” social. Na cerimônia de entrega do Oscar 2020: Parasita; Indústria americana e Coringa foram os filmes premiados que retratam as desigualdades e a urgência da vulnerabilidade social da população. Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda, escreve: “Sempre houve e haverá desigualdade em sociedades humanas, mas, quando a desigualdade se torna extrema e injustificável, a população tende a se rebelar, liderada pela classe média.” Mas o que é a Classe Média? Ele questiona. Diz: “Há várias definições na literatura, baseada em nível de renda, padrão de consumo e outros fatores.” Ele conclui: o que mais caracteriza a classe média é o medo de cair. Continua: Uma pessoa de classe média tem vida geralmente confortável e segura, mas seus filhos e netos não têm garantia de continuar na mesma situação. O que fazer para evitar o estouro do “barril de pólvora social”? Roberto Pompeu diz: Solidariedade. “Todos pela educação de todos.” Preparar o jovem, nesse momento de revolução tecnológica, para um mundo de conhecimento e autoconhecimento, incentivando sua formação. Ensinando o valor da conquista das pequenas coisas e encurtando as diferenças sociais. Mostrando que só assim encontraremos segurança nos caminhos e ruas das nossas cidades.