Crônicas

Fotocrônicas

Tenho encontrado com amigos que me pedem um volume do livro “Fotocrônicas”, que publiquei em 2003, ou seja, há 23 anos atrás.

Por: Wilson Márcio Depes em 23 de setembro de 2026

Tenho encontrado com amigos que me pedem um volume do livro “Fotocrônicas”, que publiquei em 2003, ou seja, há 23 anos atrás. Lamentavelmente não tenho mais. A minha vontade, não fosse a escassez de tempo, seria publicar mais um volume, aduzindo outros personagens que marcaram não só a minha vida, como a de muitos cachoeirenses. Não posso deixar de dizer que fiquei muito feliz em reverter tudo que apurei com a venda, para a Casa do Câncer que, afinal, comprou um imóvel para abrigar as pessoas que estavam em tratamento. Tudo isso sem imaginar que teríamos, como está sendo construído, um Hospital do Câncer.

A rigor, as pessoas retratadas no livro, pude constatar depois, sempre foram admiradas – e diria mais: amadas – pelos cachoeirenses. Ficaram na memória e na lembrança afetiva de todos nós. Conto. Roberto Carlos, quando fui mostrar um volume, de longe já gritou: “Olha o Moringueiro ali”. E pediu um volume que levou com muita alegria. Não é possível – creio eu, a essa altura da vida – desprezar os valores tradicionais e culturais de uma cidade, tudo aquilo que levou anos para ser sedimentado, o prédio, a rua tradicional ou o centro da cidade. E as pessoas que preencheram esse cenário. Aliás, escrevi um pouco sobre isso na crônica passada.

Claro que sei que tudo mudou muito. Mas a reação das pessoas em busca do livro “Fotocrônicas” é uma prova inequívoca que não se pode deixar de lado a memória afetiva. Outro exemplo: alguém pode esquecer de Geraldo, filho de seu Adão, na subida da igreja São Pedro, pedindo: “Manda prá mão”. Vivia da ajuda de cachoeirenses que tornaram seus amigos, aliás, amigos queridos.

Digo mais: alguém pode esquecer dos dribles e dos gols de Alcenir. Ou mesmo das estórias contadas com euforia por Sarará. Precisamos, sem dúvida, com todas as técnicas que possuímos, hoje, guardar as lembranças de Seu Zezinho, história de todas nossas infâncias. Juro que o mundo estaria melhor… Ah, como estaria!