Crônicas
Uma viagem no tempo…
No início dos anos 50 o Espírito Santo foi visitado por dois grandes mestres das artes brasileiras: Rubem Braga, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim e Carybé, argentino naturalizado baiano por residência e por amor.
Por: Wilson Márcio Depes em 21 de julho de 2026
Encontro, na biblioteca, Ozéias, um velho servidor de nosso escritório folheando, encantado, o livro “Uma vigem Capixaba de Carybé e Rubem Braga”. Explico. Ou melhor, o próprio prefácio explica. No início dos anos 50 o Espírito Santo foi visitado por dois grandes mestres das artes brasileiras: Rubem Braga, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim e Carybé, argentino naturalizado baiano por residência e por amor.
Dessa viagem, nasceria um trabalho da mais alta expressão artística e documental. Os desenhos de Carybé e as anotações de Rubem. A leitura tinha a intenção de nortear nossos administradores e a população em geral no que teríamos, obrigatoriamente – digo eu – de fazer para influenciar e participar do desenvolvimento harmônico e humano da nossa terra.
Rubem explica que ambos – ele e Carybé – viajavam num velho jipe. Bem, mas resumindo nesta pequena crônica, é que o velho Ozeias ficou apaixonado pelos desenhos, sobretudo os de Cachoeiro. Por exemplo, o Pico do Itabira, visto por quem sobe, à margem esquerda do rio, domina a cidade. E mais: mostra a cidade toda torta, entre morros, acompanhando as voltas do rio.
O livro é muito interessante e valioso. Mostra, por exemplo, o centro da cidade (em 1953) – naquele tempo não havia a Beira-Rio. Em seu lugar, um registro histórico muito importante – as lavadeiras lavando as roupas no rio Itapemirim. A Ilha da Luz. Por exemplo, é identificada – no belíssimo desenho – “por uma tarrafa que sempre vale a pena”. E mais: A Maçonaria, o atual INPS, a Maçonaria e, como não poderia faltar, a “Casa dos Bragas”, que, àquela época, tinha o estilho chalé.
E a história, de forma singela, vai correndo por aí. Quando dei por mim, peguei Ozeias, com os olhos arregalados, deixando cair muitas lágrimas. Lágrimas de um passado que não volta mais… E um fascínio, quase dramático, com o que foi e… será.