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Cogito, ergo sum

“Penso, logo existo/sou.” Tradução da afirmação latina em que o filósofo francês René Descartes (Discurso da razão, 1637) reconhecia a primeira verdade da doutrina construída sobre a evidência e a razão.

Por: Sergio Damião em 5 de novembro de 2026

“Penso, logo existo/sou.” Tradução da afirmação latina em que o filósofo francês René Descartes (Discurso da razão, 1637) reconhecia a primeira verdade da doutrina construída sobre a evidência e a razão. Com o tempo, na discussão do que nos faz humanos, foi acrescida, à assertiva cartesiana, a memória. No livro de Paulo Rónai, Não perca o seu Latim, Bazar do Tempo, 2017, encontramos a expressão: “Conditio Sine Quã Non – condição sem a qual não…”, termo com que se designa, em Direito, uma condição essencial à realização de uma transação, de um ato jurídico. Sem a memória, morremos historicamente. Permanece o corpo físico, precisamos dos outros para que se lembrem da nossa existência. Sem memória não se faz uma rua, cidade, instituição, pessoa, povo… Sem memória não se faz um país! Sem memória… O brasileiro parece um povo sem memória. Uma memória a ser construída. Somos sem memória como povo e permanecemos desmemoriados no campo individual. Não lembramos de agradecer à natureza pelas coisas belas que vemos no nascer do dia. Não lembramos de agradecer pela saúde que desfrutamos. Não valorizamos a memória de cidades, ruas, bairros… Esquecemos os que nos antecederam, esquecemos aqueles que construíram a estrutura que ora desfrutamos. A geração do presente esquece com rapidez os que existiram. Vivem do presente. Vivem sem memória. São os Zumbis do presente. Fabricam os Zumbis do futuro. Os políticos sem memória utilizam artifícios do presente, criam novos fatos e escondem o passado. Desvalorizam culturas e artes: músicas, artesanatos, danças, línguas… Para eles, quanto menos lembrarmos melhor. Na verdade, bem melhor seria se a tradução dos dizeres latinos de Cogito, ergo sum se fizesse como: Penso, logo sou. Sou um ser pensante, vivo. Livre das minhas paixões. Respeitando a vontade da maioria. Não apenas existindo. Da nossa língua portuguesa, o poeta Olavo Bilac, afirmou ser a última flor do lácio, região itálica onde se originou o latim e nele nos espelhamos para uma humanidade melhor: Homo Homini Frater. Isto é: O Homem é um irmão para o Homem. Assim devemos agir, em busca da fraternidade. Devemos fugir do Homo Homini Lupus: Um homem lobo para o homem. Buscamos a imortalidade. Impossível no mundo biológico. A certeza da morte nos ronda. Retorno ao princípio: para pensar, ser ou existir, precisamos da memória. Sem ela, seremos todos esquecidos.