Crônicas

O uso de terapias hormonais

Isso decorre do fato da inexistência de comprovação científica suficiente que sustente seu benefício e a segurança do paciente. Dizem que os “profissionais inescrupulosos estão deitando e rolando”. E estão mesmo. Na nossa cara.

Por: Wilson Márcio Depes em 29 de setembro de 2026

 

Leitores desta revista me perguntam quais as punições que a Justiça vem aplicando aos médicos que usam, indiscriminada e ilegalmente, terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho muscular e/ou melhora do desempenho, digamos, esportivo e outros objetivos. Isso decorre do fato da inexistência de comprovação científica suficiente que sustente seu benefício e a segurança do paciente. Dizem que os “profissionais inescrupulosos estão deitando e rolando”. E estão mesmo. Na nossa cara.

Fato é que fiscalização está perdendo a guerra. Como diz um leitor amigo: “é o crime organizado”. O uso indiscriminado de terapias hormonais com EAA, incluindo a gestrinona, com objetivos estéticos ou para o ganho de desempenho esportivo, é hoje uma preocupação crescente na medicina e para a saúde pública. Isso porque, de acordo com as mais recentes evidências científicas, não existem benefícios notórios que justifiquem o aumento exponencial do risco de danos possivelmente permanentes ao corpo humano em diferentes órgãos e sistemas com sua utilização.

Aliás, é o que define o Conselho Federal de Medicina (CFM) através da Resolução nº 2.333/23. Mas a punição é pouca ou quase nenhuma, mas legalmente está proibida a prescrição e divulgação de hormônios anunciados como “bioidênticos” em formulação “nano” ou com nomenclaturas de cunho comercial sem a devida comprovação científica de superioridade clínica para a finalidade prevista nesta resolução. Assim como de Moduladores Seletivos do Receptor Androgênico (SARMS) para qualquer indicação. A vedação está de acordo com o entendimento atual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), expresso na Resolução nº 791/21.

Prometo, por fim, acompanhar o tema e informar dados aos leitores. Vou ficar devendo números. Mas me comprometo a efetuar pesquisa jurídica. A conselheira Annelise Menegusso alerta que é crescente o número de pessoas utilizando tais medicações de forma ilícita. Estou conversando com quem sabe. Aguardem.