Crônicas
Amor à tradição
Inaugurado em 1900, o Caçadores Carnavalesco Clube, foi fundado por um grupo de cidadãos que sentiu a necessidade de criar um espaço social para o encontro de suas famílias. Numa época em que a caça era um esporte legalmente permitido, o clube recebeu o nome do grupo fundador.
Por: Marilene Depes em 11 de agosto de 2026
História e tradição fazem parte da cultura de uma cidade. Vejo com orgulho o cuidado da municipalidade com o Palácio Bernardino Monteiro, hoje totalmente ocupado por atividades culturais, e torço para que outros monumentos históricos tombados também consigam se manter.
O tombamento protege prédios e logradouros que fazem parte da história do município, entre eles o Mercado Municipal, o Mercado Quincas Leão, o Museu Ferroviário, o Centro Operário, a Casa da Memória, a Loja Maçônica Fraternidade e Luz, a Igreja Nosso Senhor dos Passos, o Conservatório de Música, entre outros.
Quero me reportar, em especial, a um desses bens tombados. Inaugurado em 1900, o Caçadores Carnavalesco Clube, foi fundado por um grupo de cidadãos que sentiu a necessidade de criar um espaço social para o encontro de suas famílias. Numa época em que a caça era um esporte legalmente permitido, o clube recebeu o nome do grupo fundador.
Ali foram realizados inúmeros carnavais, quando ainda não existia o hábito de passar a festa nas praias. Muitas celebrações marcaram sua história e, na década de 1960, destacaram-se bailes memoráveis, como o Baile das Debutantes e o Baile das Garotas do Ano, criado pelo jornalista Hélio Dórea. A vida social da cidade fervilhava.
O Clube foi escolhido para sediar o Baile Oficial da Festa da Cidade, ocasião em que é homenageado o Cachoeirense Ausente, título criado pelo poeta Newton Braga, apaixonado por sua terra e por suas tradições. Atualmente, também presta homenagem ao Cachoeirense Presente, além de outras personalidades. Para manter sua identidade, o baile exige traje de gala e é animado por orquestra de renome nacional. O evento é aberto a todos que desejem participar e contribuir para sua realização.
Durante a pandemia, o Clube fechou suas portas e esteve na iminência de ser alugado ou até vendido. Foi então que um grupo de pessoas apaixonadas por Cachoeiro e por suas tradições assumiu sua Diretoria. Juntamente com sócios e filhos de sócios, reformulou o Estatuto e instituiu um Conselho Deliberativo.
O Clube segue enfrentando muitas dificuldades. A principal delas é a adequação às normas atuais de acessibilidade, que exigem elevador e rampas de acesso, o que dificulta aluguéis para a manutenção. Soma-se a isso a necessidade de constantes reformas, pois, durante o longo período em que permaneceu fechado, os cupins comprometeram boa parte da estrutura de madeira. A Prefeitura não pode ajudar diretamente, mas tem feito o que está ao seu alcance.
Aos que torcem contra, deixo um convite: juntem-se a nós. Façam isso por amor à causa, às tradições e à cidade em que vivem. Preservar a nossa história é um dever de todos. É o mínimo que podemos fazer.