Crônicas
Recordar também é viver
Em meio a uma palestra sobre as diferenças das praças de antes e de hoje — das analógicas às digitais — recordei-me dos encontros de amor e de uma despedida triste que vivenciei na Praça Jerônimo Monteiro, em plena festa da cidade, no meu último ano do Liceu.
Por: Marilene Depes em 15 de junho de 2026
Em meio a uma palestra sobre as diferenças das praças de antes e de hoje — das analógicas às digitais — recordei-me dos encontros de amor e de uma despedida triste que vivenciei na Praça Jerônimo Monteiro, em plena festa da cidade, no meu último ano do Liceu.
Numa época em que poucas famílias possuíam TV, a festa da cidade mobilizava o povo para as ruas, tanto para assistir aos desfiles escolares quanto para visitar a Exposição de Animais, que se localizava onde hoje é o Fórum, e outra de trabalhos artísticos, no Colégio Bernardino Monteiro.
O desfile escolar lotava as ruas centrais, e os mais esperados eram os da Escola de Comércio, que aconteciam na noite anterior, iluminados por alunos carregando tochas. Era lindo!
E, no dia seguinte, desfilavam outras escolas, o Tiro de Guerra, algumas agremiações e, finalmente, o Liceu! O palanque ficava onde hoje é o estacionamento em frente ao Banco do Brasil e nele, quando o Liceu despontava na entrada da praça, o professor Deusdedit Baptista, um grande orador, começava a clamar: “Liceu! Liceu! Liceu!”
Abrindo o desfile vinham os alunos mais inteligentes: os irmãos Bruno e Abgar Torres Paraíso, Osíres de Azevedo Lopes e Lorenzo Freitas, carregando as bandeiras do Brasil, do Espírito Santo, de Cachoeiro de Itapemirim e do Liceu. Depois vinha a Banda do Liceu, comandada pelo mestre Taveira — o auge do desfile!
À frente da banda, as balizas, eu entre elas. Éramos preparadas pelas professoras Geny Curcio e Maria José Pinto. A baliza principal tinha maior destaque, entre elas Gilda Braga e, depois, Nívea Moreira. Nós vínhamos em seguida, eu à frente, com Míriam Coelho ao lado. Nossas roupas eram lindíssimas.
Foi como baliza do Liceu que tomei posse da capacidade de superar a minha realidade, até então a de uma moça do interior, numa época em que as barreiras da roça para a cidade eram imensas.
E foi na Praça Jerônimo Monteiro que nós, um grupo de balizas do 3º ano científico, em redor do chafariz central, nos abraçamos e nos despedimos de um sonho — dos anos de baliza e do Liceu, uma escola que representou tanto para cada um que por lá passou.