Ele me olhou de forma estranha e informou que todas as pessoas importantes estavam no velório. Novamente respondi que não sou importante e só vou a velórios de parentes ou amigos, e que nessa pandemia tenho restringido mais ainda minha presença.
Leitor teimoso, por mais que procure não consigo me deparar com um texto no qual não haja um traço de amargura. Vire e mexe, por mais que a bola siga rolando e o passe seja limpinho, os números da pandemia afloram como se tivessem sido represados no inconsciente até aquele momento.
Nela, gravamos momentos diversos da vida urbana. A urbe é assim: multifacetada. Como viajante prefiro gravar em memória. Não consigo enquadrar imagens na tela da câmera; não consigo gravar fatos e instantes que me alegram
Vamos aos fatos: no ano de 2020, por conta da pandemia, os idosos foram desobrigados de fazer a prova de vida nos Bancos em que recebem seus benefícios e aposentadorias do INSS.
O velho Millôr Fernandes dizia que jamais diga uma mentira que não possa provar. O pessoal do Bolsonaro, por não ter lido Millôr, não acredita nisso. E não está conseguindo provar as mentiras.
Tenho prazer em escrever sobre o cotidiano, gosto de observar, de ler e de falar pouco, cada vez menos. Discutir comigo é impossível, quando percebo ambiente carregado caio fora.
Ele era tido na imprensa brasileira como “o mestre”. Sou daquelas pessoas que, entre um prêmio em dinheiro e conhecer uma pessoa que admiro muito, opto pela segunda alternativa.
Entre pessoas que encontro no dia a dia, uma família chamou-me especialmente à atenção, um jovem senhor, a esposa, um filho e um casal de idosos, todos no mesmo veículo e dos cinco apenas a senhora idosa de máscara.
Tenho encontrado poucos amigos durante a pandemia. De forma simples e até prosaica me pergunto como a gente pode viver sem amigos. Claudinha Sabadine, outro dia, me disse: “Tempos difíceis, né? Bom ter os amigos por perto”. Há mais de um ano que não encontro com ela.
Planejei durante dias homenagear às mães pelo se dia. Planejei escrever sobre esse sentimento lindo da maternidade, do amor irrestrito das mães por seus filhos e concluí que seria utopia.
Desde o falecimento de minha mãe, em 2002, tenho feito isso. Recebo, permanentemente, pedidos dos livros editados de cachoeirenses que moram fora, mas as edições estão esgotadas.
Iniciou com maconha e logo passou para o crack, no próprio bairro, em local conhecido pelos outros moradores, iniciara-se aos 10 anos. Mostrava alegria e confiança no futuro.